Com tanto hype por trás de lançamento, incluindo a devoção dos marmanjos pela produtora Jade Raymond, poderia Assassin’s Creed corresponder às expectativas? Depende. A jogabilidade não tem nada que realmente chame a atenção, com um combate simplório e missões que pedem que você faça sempre a mesma coisa, aliada a uma história que é uma verdadeira bagunça (com toques de ficção, que assustam os desavisados no início), com direito a um final que não diz a que veio. Mas graças ao capricho da equipe de produção, esses problemas se tornam menores, diante de tanta riqueza de detalhes. A pesquisa histórica é minuciosa, com recriações belíssimas de Jerusalém, Damasco e Acre, as principais cidades do séc. XII, durante a Terceira Cruzada. Tudo é muito vivo, com destaque para o áudio elaborado, principalmente quando o protagonista Altair se vê perdido a um mar de gente que perambula pelas ruas. AC consegue, assim, criar uma sensação de imersão brutal, que ainda é muito rara no mundo do videogame.
Resumidamente, as missões mudam apenas as belíssimas cidades por onde Altair passa. Recolha um número mínimo de provas contra um templário, leve-as para a Ordem dos Assassinos e ganhe a autorização de executar seu inimigo. Tudo gira em torno desse conceito. Porém, a arte do jogo é incrível. Cenários, vozes, gráficos e interação com NPCs que vivem o dia a dia adequadamente. Cada personagem parece viver naturalmente a sua própria vida. E é aí que se encontra o segredo de AC. Tudo se torna muito mais atraente se você admirar a beleza do jogo, sem correr com pressa, atrás do final. A proposta é ótima, porém não é bem aproveitada como deveria, fazendo da imensa expectativa, se tornar talvez para alguns uma grande decepção.
O jogo em si é muito confuso no começo. Tem um tutorial relativamente irritante e demora bastante para atrair de verdade. A trama é um pouco fraca, mas é compensada pela ambientação sensacional representada pelos belos cenários históricos em 1191. Além das locações, é importante ressaltar que as pessoas reagem de formas diferentes, o que causa uma impressão profunda de estar no meio de uma grande cidade. O personagem possui uma gama enorme de movimentos e lembra bastante Prince of Persia. Promessa cumprida no quesito gráfico - de longe, um dos mais belos desta geração. Embora não chegue a ser revolucionário
como muitos gostariam que fosse, AC consegue deixar sua marca em um mês
repleto de grandes concorrentes e se torna referência em matéria de
apresentação daqui para frente.