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por Rafael Arbulu
Há
dois anos, um grupo de estudantes adolescentes foi preso dentro de sua
escola e caçados por monstros criados por experimentos biológicos,
conduzidos pelo maníaco diretor Herbert Friedman. Alguns sobreviveram.
Enquanto outros pereceram. Em um ato de vingança, e também para escapar
deste pesadelo, eles mataram Friedman e presumiram que tudo havia
terminado.
Agora, os sobreviventes deram continuidade às suas vidas, indo para a
universidade, na cidade vizinha, Fallcreek. Mas nem tudo vai bem dentro
do campus. Estranhas flores negras aparecem em todo lugar. Durante
pesquisas genéticas, que aconteceram dentro da sala de aula, foi
descoberto que há uma perigosa substância nestas flores, na qual induz
às pessoas à sonhos estranhos e quase reais.
Porém, alguns dos alunos percebem que estas plantas tem um "q" a mais
além de sua aparência. Quando suas sementes começam a germinar, o que
era uma alucinação ruim, de repente, se torna uma horrível realidade.
O texto acima é enredo de Obscure: The Aftermath, continuação do jogo
lançado em abril de 2005 para PC, PlayStation 2 e XBOX. Você segue mais
ou menos a mesma linha dos episódios vistos no Colégio Leafmore,
inclusive contando com alguns personagens que sobreviveram ao primeiro
massacre.
Produzido pela Hydravision e distribuído pela Ignition Entertainment,
o jogo é bom, de uma forma geral, mas não dá para esperar muito além
disso, já que ele tem como concorrente direto Silent Hill Origins,
anteriormente lançado para PSP e que também marcará sua presença no
PlayStation 2.
Pode até parecer brincadeira, mas ser bom é o maior pecado cometido por
Obscure: The Aftermath: sendo ele um lançamento recente também para
Nintendo Wii e PC, a produção poderia se dar ao luxo de fazer algo mais
complexo e completo. Os elementos audiovisuais, gráficos e som são
bons, e não deixam os personagens com a cara quadrada. Ao início de uma
partida, ele perde um pouco o brilho. Os quebra-cabeças são fáceis
demais, sendo resolvidos em poucos minutos. Os monstros tombam fácil, e
raramente você se vê em uma situação de alto risco.
Dá para jogar com dois gamers no modo cooperativo. Embora, mesmo
jogando sozinho, você sempre usará dois personagens - há seis
disponíveis. Isso se dá para implementar um pouco mais as tarefas de
exploração dos cenários. Um exemplo é quando você usa um personagem
mais forte para empurrar grandes caixas de madeira, para depois tomar o
controle de outro, mais acrobático, para subir neles e se pendurar em
canos, vigas etc. Cada um tem sua aptidão, desde poderosos jogadores de
hóquei até experts em invadir sistemas de computador.
Outro defeito eminente encontrado durante a partida é a facilidade com
que podemos prever o que acontecerá. Desde o que vai seguir depois de
uma animação, até que tipo de monstro surgirá depois de abrir uma
porta... O jogo acaba perdendo aquele impacto de susto quando alguma
coisa aparece na sua frente sem que você espere, o que acaba por
deixar, em certos momentos, o jogo um pouco tedioso.
O que dá pra tirar o chapéu é a criatividade com que o enredo foi
criado. Ele promete grandes reviravoltas e algumas revelações em
relação ao primeiro Obscure, mas sem spoilers por aqui, ok?. Também tem
um arsenal pequeno, mas variado e até elegante, que está disponível aos
poucos, conforme o progresso na partida. Desde tacos de golfe até
flechas explosivas e dinamite. Dá pra causar grandes danos de vários
jeitos.
Outro aspecto positivo do jogo, é a enorme quantidade de locais a serem
explorados. Começando pelos corredores de Fallcreek, você passa para o
lado de fora do campus, daí para as ruas próximas, e no meio disso há
cemitérios e florestas. Conforme acha-se entradas e passagens secretas,
você vai parar na casa do maníaco Friedman e até mesmo em Leafmore,
palco do primeiro episódio.
Tudo isso dentro de um ambiente pesadamente escuro e sombrio. O jogo
foi feito para que tudo se passasse dentro de uma única noite, já que
os tais monstros detestam a luz. Então espere a sensação de estar em um
canto assustador, em plena madrugada, sabendo que não está sozinho em
nenhum momento.
Com seus altos e baixos, vale reafirmar que Obscure: The Aftermath é um
jogo bom, mas que poderia ter maior complexidade e maior duração. De
qualquer forma, ele vale o esforço, com algumas horas de divertimento
razoável e moderado.
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