por Rafael Arbulu
Dez anos atrás, "especialmente desenhado para o público infantil" era um termo comumente usado para adjetivar o visual apresentado pela série The Legend of Zelda. Hoje, considerando a evolução apresentada pela tecnologia empregada nos consoles (principalmente no Nintendo Wii), é redundante dizer que essa locução adjetiva é um tremendo sacrilégio. Seja você um gamer veterano e saudosista ou marinheiro de primeira viagem, The Legend of Zelda faz com que você mude sua
concepção de "jogo infantil" em apenas algumas horas de jogo. E nem adianta pensar que não chegará a tanto tempo na jogatina: você nem vai notar o tempo passar. Muitas explicações poderiam se originar disso, mas para conhecer Zelda, é necessário primeiramente entender sua proposta.
Nem de longe, Zelda quer ser um jogo destinado apenas às amáveis criancinhas. Abordando inúmeros temas bastante adultos, como ameaças universais, combates corpo a corpo, com um teor não apelativo de violência. Além disso tudo, tem uma linguagem que fala de dominação, morte e catástrofes causadas por magia. Já deu para perceber: Zelda NÃO É um jogo para crianças.
Entretanto, os menininhos lindos das mamães insistem em jogar. Não que eles não possam (o jogo não leva o selo "Para Maiores"), porém. A razão disso: o visual do jogo parece desenho animado em computação gráfica. Desde suas primeiras edições, lá no longínquo e distante ano de 1986, para a plataforma Famicon (o NES, ou Nintendinho, aqui no Ocidente). Afinal, o que faz do nome Zelda algo tão especial?
Dá para dizer, de forma segura, que The Legend of Zelda é para a Nintendo o que o Final Fantasy foi (e continua sendo) para o PlayStation, da Sony. Acompanhem as semelhanças:
1) Ambos possuem ampla cronologia, mas nenhum título é necessariamente ligado ao anterior ou ao posterior
2) Ambos envolvem ameaça mundial.
3) Ambos têm em seu enredo o mote de salvar alguém (ou alguma coisa) muito especial, como a mocinha do jogo, ou mesmo o próprio planeta
Claro que são duas coisas completamente diferentes, mas o corpo é o mesmo, tanto para um como para outro. Então, a fórmula que dá certo em um, dá certo no outro, correto?
Errado, com aquele "E" bem grande. Só porque eles têm a mesma premissa, não quer dizer que sejam o mesmo jogo em plataformas diferentes. Em Final Fantasy, você tem uma gama enorme de personagens, todos quase 100% controláveis. Em Zelda, a história é centrada em Link, enquanto os outros têm apenas participação auxiliar, oferecendo suporte ao jogador.
Zelda é algo tão ímpar que mesmo sua cronologia causa confusão, e brigas, entre seus fãs mais fervorosos. Não há um segmento específico. Quer um exemplo? The Legend of Zelda: Wind Waker se passa centenas de anos depois dos eventos de Ocarina of Time. Esse, por sua vez, é anterior ao Zelda original. Não dá para delimitar uma única linha temporal nessa franquia.
O objeto mais tocante, porém, é o fato de sempre o bem ser representado por Link, um duende de uma terra desconhecida pelo povo de Hyrule, algo como os Estados Unidos do universo Zelda. Centro de toda a economia global, Hyrule é governada por uma família justa e correta, sobretudo quando se fala da Princesa Zelda (sempre ela quem acaba sendo a donzela em perigo de todas as edições). Sendo um lugar tão feliz, obviamente ele seria alvo da cobiça de muitos, mas a maior ameaça ao reino é representada por Ganon (variações do nome podem ocorrer), sempre sendo o responsável por todos os problemas que Link deverá resolver durante o jogo.
História oficial
Há muito, muito tempo atrás, três deusas desceram dos céus para criar o mundo dos homens. Din, deusa do poder, preencheu o vazio com a terra vermelha. Nayru, deusa da sabedoria, jogou sobre o mundo o senso de justiça que deveria guiar os seres vivos na ausência das divindades. Farore, deusa da coragem, abençoou o mundo com a vida. Após o trabalho, elas criaram um artefato místico chamado TriForce, que continha em forma física as virtudes das deusas sagradas. O problema é que a jóia não diferenciava o bem do mal, e dada a sua capacidade de tornar
qualquer desejo uma realidade, as divindades preferiram escondê-lo em um reino espiritual conhecido como Sacred Realm.
Esse é o pano de fundo de praticamente todas as edições de The Legend of Zelda. Embora detalhes posteriores tenham sido revelados posteriormente, é certo que Zelda trá suas bases na criação do mundo pelas três deusas.
O herói de todos nós
Link é um jovem, constantemente retratado entre 12 e 19 anos de idade. Com longas orelhas de duende, ele é natural das terras de Hyrule. Descrito como humilde, mas corajoso, ele sempre recebe no jogo adjetivos como "Herói do Tempo" ou então "Herói escolhido pelos deuses". Basicamente, ele possui todas as características necessárias para ser o portador do Triângulo da Coragem (um terço de todo o TriForce).
O vilão de nenhum de nós
Ganon é o clássico guerreiro maligno que todos amam odiar. Ele se aproveita de situações e faz de tudo para ter o máximo, com o mínimo de esforço. Sua origem é bastante confusa: às vezes ele é um demônio d tempos antigos que ressuscitou nos tempos atuais, enquanto em outras ocasiões, ele é um homem comum, que adquiriu poderes enormes ao botar as mãos no medalhão TriForce.
Geralmente, Link deve conquistar símbolos de coragem e força em várias dungeons espalhadas pelo jogo, antes de enfrentar o desafio final, representado por Ganon. A exceção à regra é The Legend of Zelda: Majora's Mask, em que o problemático da vez era o Skull Kid.
Enfim...
Vale. Simplesmente isso. Vale para qualquer plataforma que ele tenha sido lançado. Vale para perder horas e horas à frente da TV para detonar por completo todo o jogo, seja ele qualquer uma das edições. Zelda vale, e vale muito.