Nome: Koji “Iga” Igarashi
Nascimento: 17 de março de 1968
Local de nascimento: Aizu-Wakamatsu, Fukushima, Japão
Cargo: Produtor da Konami Digital Entertain
ment
Mais conhecido por: Produzir a série Castlevania e por sua barba
Prato favorito: Sangue… não, sushi!
Pergunte a alguns jogadores das antigas qual a sua série
favorita e muito provavelmente você vai ouvir a palavra Castlevania. A
franquia vampiresca foi febre por mais de 20 anos. Quer saber por quê?
Com a palavra, Koji “Iga” Igarashi.
Tá certo que Iga não
participou da criação de Castlevania, mas verdade seja dita: o nome
virou sinônimo de bom jogo desde que Castlevania: Symphony of the Night
foi lançado para PlayStation em 1997. Symphony foi um marco não somente
por adicionar elementos de aventura à fórmula de ação gótica de
Castlevania, mas também porque manteve as raízes 2D da série numa época
em que o 3D era a tecnologia da vez. Iga preservou o conceito da série
quando assumiu o cargo de produtor e retornou ao rico universo de
Castlevania com os títulos Aria of Sorrow para GBA e Portrait of Ruin
para DS. Além de cuidar de uma das séries mais adoradas de toda a
história dos games, Iga também é conhecido por sua paixão pela
tecnologia 2D e sua aguçada sensibilidade para a moda, que
contribuiu para que ele se tornasse um dos criadores mais importantes,
reconhecidos e apreciados da indústria na atualidade.
MSN Jogos: Conte como você entrou para o ramo dos videogames.
Koji Igarashi:
Essa é uma história e tanto. Quando eu ainda era aluno na faculdade,
recebi uma proposta de emprego mas recusei por vários motivos. Depois
disso, parei para pensar: “O que eu vou fazer agora?”. Daí fui até a
Konami por indicação de um senpai (colega de uma classe mais avançada),
que havia entrado na empresa cerca de um ano antes da minha visita.
Talvez eu não devesse acreditar nisso, mas é possível que eu tenha
entrado para a Konami por vontade divina!
MJ: Quando você era criança, o que esperava ser quando crescer?
Iga: Eu sempre fui muito criativo. Quando estava no ginásio, eu pensava em ser um carpinteiro.
MJ:
Você costuma dizer que seu negócio sempre foi mais voltado para os
jogos de PC do que jogos para consoles. Porque você virou fã dos
consoles?
Iga: Eu preferia o PC p
orque sempre
gostei de criar programas para uso pessoal e realmente eu conseguia
criar quase tudo o que tinha vontade. Contudo, eu nunca consegui
reproduzir games que eu jogava no arcade usando o PC por conta das
limitações técnicas dos computadores. Eu me sentia frustrado com isso.
Então eu comecei a jogar Super Mario Bros., e percebi que os jogos
tinham mesmo que ser experimentados em uma plataforma dedicada. Foi por
isso que mudei de idéia.
MJ: Quais eram as suas
idéias quando jogou Castlevania pela primeira vez? Fale sobre o momento
em que você virou um adorador da série e como foi o início do seu
trabalho nela.
Iga: Quando joguei Castlevania pela
primeira vez eu achei que o jogo era bastante desafiador. Foi quando eu
percebi que não era tão bom nos jogos de ação. Contudo, eu me apaixonei
pelo mundo de Castlevania, então toda vez que um novo Castlevania era
lançado eu corria para jogar (mesmo que fosse na casa de algum amigo).
Eu percebi que tinha virado um fã da série depois que entrei na Konami
e testei o Castlevania IV para Super NES. É claro que eu nunca esperava
acabar trabalhando na série.
MJ: Como a sua
experiência anterior ao Castlevania te ajudou a agregar valor a série?
Como foi a transição de simples fazedor de jogos para o todo-poderoso
da série Castlevania?
Iga: Antes de Castlevania, eu
trabalhei em vários jogos que eram versões de arcade para consoles. Eu
acredito que a minha técnica de criar jogos foi moldada nesse período.
Além disso, eu acho que adquiri a paciência para enxergar as coisas
mais profundamente, sem deixar nada para o último minuto, através da
minha experiência com Tokimeki Memorial (PC-Engine). Quando eu terminei
de fazer Symphony of the Night, a série Castlevania se mudou para outro
estúdio de desenvolvimento, mas eu lembro que sempre insistia que
devíamos criar um novo jogo para a franquia. Eu acho que minha
iniciativa e também as metas que eu tracei ajudaram a criar o conceito
de Castlevania como o conhecemos hoje. A responsabilidade também me fez
crescer como um desenvolvedor.
MJ: O que você fez nos anos de intervalo entre Symphony of the Night e Harmony of Dissonance?
Iga:
Eu estava trabalhando em cima de um RPG que foi lançado apenas no
Japão, chamado Elder Gate, para PlayStation (um jogo de reputação
duvidosa). Também estive envolvido com projetos terceirizados. Meu
cargo naquela época era de gerente sênior. Castlevania Chronicles (um
relançamento para PlayStation de um jogo original do X68000) é um dos
jogos que criei na entressafra.
MJ: Porque você gosta tanto de jogos 2D?
Iga:
No geral? Porque eles são de fácil assimilação. Eu acho que os jogos 3D
precisam de orientação profunda ou efeitos especiais para se tornarem
interessantes. No meu caso, é diferente: gráficos 2D não passam de
arquivos de texto do ponto de vista de um programador. Os jogos 2D
permitem que o jogador se concentre na jogabilidade. Eu acredito que os
jogos 3D transportam o jogador para dentro da tela e o transformam em
parte da história, já os jogos 2D oferecem controle externo da situação.
MJ: De onde vem o seu senso apurado para moda? Você sempre gostou de roupas pretas ou isso é algo que veio depois de Castlevania?
Iga:
Sinceramente, eu não acho que tenho bom gosto para a moda. Eu sempre
gostei de roupas pretas, e as pessoas que trabalham comigo costumam
recomendar roupas mais sofisticadas porque eu sou o cara que lida com a
imprensa diretamente, tenho que ter uma boa imagem. Mas eu acho que
sim, meu gosto pela cor preta aumentou muito depois de Castlevania.
MJ: Qual destes sairia vivo de uma arena: Simon, Trevor, Soma ou Alucard?
Iga:
Ummmm . . . essa pergunta é cruel! Se os inimigos fossem vampiros,
Simon ou Trevor seriam os mais fortes. No caso de uma luta contra
demônios, eu acho que Soma seria o vencedor, porque ele tem o poder de
controlar almas. Mas não posso deixar Alucard de fora, ele é uma
mistura das duas qualidades. Não acho que eu possa responder essa
pergunta, mas acredito que seria legal ver uma briga entre eles.
MJ: Qual é seu aspecto favorito na confecção de um jogo?
Iga: O projeto como um todo, especialmente as loucuras que saem de nossas cabeças.
MJ: O que você costuma fazer quando encara um problema durante o desenvolvimento de um game?
Iga:
No caso de problemas técnicos, eu analiso a situação para entender
melhor qual é o problema. Então eu faço listas de pendências para os
problemas encontrados. Faço um cruzamento com o nosso plano de ação e
depois disso determino quais são as prioridades. Também determino quais
funções do jogo são essenciais. Dependendo do resultado, posso mudar o
projeto ou mesmo a equipe responsável. Quando o problema tem a ver com
idéias, bem, o assunto fica mais complicado
. Primeiro, eu ando em
estado constante de brainstorming. De vez em quando relaxo vendo um
filme ou ouvindo músicas. Eu sempre tenho idéias incríveis quando estou
prestes a entrar no banho ou quando estou esperando pelo trem, por
exemplo. Mas eu acho que brainstoming é algo que pode ficar ruim depois
de algum tempo, então é uma solução que deve ser usada com moderação.
MJ: Como gostaria de ser lembrado daqui a 50 anos?
Iga: Não me importo se as pessoas se esquecerem das coisas que eu fiz, mas
gostaria que elas lembrassem dos jogos que criei. Seria uma grande
honra. Espero que as séries em que trabalhei continuem fortes daqui a
50 anos, isso seria incrível.
MJ: Quais são os outros tipos de mídias (filmes, literatura) você mais gosta?
Iga: Quando eu estava na faculdade, meu senpai me apresentou o filme Monty
Python. Foi um choque cultural fortíssimo. O impacto ainda continua
vivo na minha memória. Também na mesma época, eu não parava de assistir
os filmes de Akira Kurosawa. Eles foram cruciais na minha formação
intelectual.
MJ: Qual o seu passatempo favorito? (não vale videogame!)
Iga: Eu tenho manias cíclicas. No momento, tenho assistido muitos DVDs. E também tenho ido muito ao cinema com o meu filho.
MJ: Se pudesse escolher um superpoder, qual seria?
Iga:
Ler a mente das pessoas. Se eu tivesse essa habilidade, poderia
preparar apresentações infalíveis! É uma habilidade limitada, mas é tão
potente que vale a pena ter. O único problema é que você pode começar a
odiar as pessoas ao saber o que elas estão pensando de fato.
GAMEOGRAPHY
Iga
é mais conhecido pela série Castlevania, mas nem todos os jogos que ele trabalhou tem a ver
com vampiros e castelos medievais.
Detana!! Twinbee 1992, PC Engine Programador |
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Tokimeki Memorial 1994, PC Engine Super CD Programador / roteirista |
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Castlevania: Symphony of the Night 1997, PlayStation Programador / roteirista de cenário e assistente de direção |
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Castlevania: Harmony of Dissonance 2002, GBA Produtor |
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Nano Breaker 2005, PS2 Produtor |
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Castlevania: Dawn of Sorrow 2005, DS Produtor |
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Castlevania: Portrait of Ruin 2006, DS Produtor |
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