Notícias >> Entrevista com Koji Igarashi
(25/04/2008 - 04:29:33)

Nome: Koji “Iga” Igarashi

Nascimento: 17 de março de 1968
Local de nascimento: Aizu-Wa
kamatsu, Fukushima, Japão
Cargo: Produtor da Konami Digital Entertain
ment
Mais conhecido por: Produzir a
série Castlevania e por sua barba
Prato favorito: Sangue… não, sushi!

Pergunte a alguns jogadores das antigas qual a sua série favorita e muito provavelmente você vai ouvir a palavra Castlevania. A franquia vampiresca foi febre por mais de 20 anos. Quer saber por quê? Com a palavra, Koji “Iga” Igarashi.

Tá certo que Iga não participou da criação de Castlevania, mas verdade seja dita: o nome virou sinônimo de bom jogo desde que Castlevania: Symphony of the Night foi lançado para PlayStation em 1997. Symphony foi um marco não somente por adicionar elementos de aventura à fórmula de ação gótica de Castlevania, mas também porque manteve as raízes 2D da série numa época em que o 3D era a tecnologia da vez. Iga preservou o conceito da série quando assumiu o cargo de produtor e retornou ao rico universo de Castlevania com os títulos Aria of Sorrow para GBA e Portrait of Ruin para DS. Além de cuidar de uma das séries mais adoradas de toda a história dos games, Iga também é conhecido por sua paixão pela tecnologia 2D e sua aguçada sensibilidade para a moda, que contribuiu para que ele se tornasse um dos criadores mais importantes, reconhecidos e apreciados da indústria na atualidade.

MSN Jogos: Conte como você entrou para o ramo dos videogames.
Koji Igarashi: Essa é uma história e tanto. Quando eu ainda era aluno na faculdade, recebi uma proposta de emprego mas recusei por vários motivos. Depois disso, parei para pensar: “O que eu vou fazer agora?”. Daí fui até a Konami por indicação de um senpai (colega de uma classe mais avançada), que havia entrado na empresa cerca de um ano antes da minha visita. Talvez eu não devesse acreditar nisso, mas é possível que eu tenha entrado para a Konami por vontade divina!

MJ: Quando você era criança, o que esperava ser quando crescer?
Iga: Eu sempre fui muito criativo. Quando estava no ginásio, eu pensava em ser um carpinteiro.

MJ: Você costuma dizer que seu negócio sempre foi mais voltado para os jogos de PC do que jogos para consoles. Porque você virou fã dos consoles?
Iga: Eu preferia o PC p
orque sempre gostei de criar programas para uso pessoal e realmente eu conseguia criar quase tudo o que tinha vontade. Contudo, eu nunca consegui reproduzir games que eu jogava no arcade usando o PC por conta das limitações técnicas dos computadores. Eu me sentia frustrado com isso. Então eu comecei a jogar Super Mario Bros., e percebi que os jogos tinham mesmo que ser experimentados em uma plataforma dedicada. Foi por isso que mudei de idéia.

MJ: Quais eram as suas idéias quando jogou Castlevania pela primeira vez? Fale sobre o momento em que você virou um adorador da série e como foi o início do seu trabalho nela.
Iga: Quando joguei Castlevania pela primeira vez eu achei que o jogo era bastante desafiador. Foi quando eu percebi que não era tão bom nos jogos de ação. Contudo, eu me apaixonei pelo mundo de Castlevania, então toda vez que um novo Castlevania era lançado eu corria para jogar (mesmo que fosse na casa de algum amigo). Eu percebi que tinha virado um fã da série depois que entrei na Konami e testei o Castlevania IV para Super NES. É claro que eu nunca esperava acabar trabalhando na série.

MJ: Como a sua experiência anterior ao Castlevania te ajudou a agregar valor a série? Como foi a transição de simples fazedor de jogos para o todo-poderoso da série Castlevania?
Iga: Antes de Castlevania, eu trabalhei em vários jogos que eram versões de arcade para consoles. Eu acredito que a minha técnica de criar jogos foi moldada nesse período. Além disso, eu acho que adquiri a paciência para enxergar as coisas mais profundamente, sem deixar nada para o último minuto, através da minha experiência com Tokimeki Memorial (PC-Engine). Quando eu terminei de fazer Symphony of the Night, a série Castlevania se mudou para outro estúdio de desenvolvimento, mas eu lembro que sempre insistia que devíamos criar um novo jogo para a franquia. Eu acho que minha iniciativa e também as metas que eu tracei ajudaram a criar o conceito de Castlevania como o conhecemos hoje. A responsabilidade também me fez crescer como um desenvolvedor.

MJ: O que você fez nos anos de intervalo entre Symphony of the Night e Harmony of Dissonance?
Iga: Eu estava trabalhando em cima de um RPG que foi lançado apenas no Japão, chamado Elder Gate, para PlayStation (um jogo de reputação duvidosa). Também estive envolvido com projetos terceirizados. Meu cargo naquela época era de gerente sênior. Castlevania Chronicles (um relançamento para PlayStation de um jogo original do X68000) é um dos jogos que criei na entressafra.

MJ: Porque você gosta tanto de jogos 2D?
Iga: No geral? Porque eles são de fácil assimilação. Eu acho que os jogos 3D precisam de orientação profunda ou efeitos especiais para se tornarem interessantes. No meu caso, é diferente: gráficos 2D não passam de arquivos de texto do ponto de vista de um programador. Os jogos 2D permitem que o jogador se concentre na jogabilidade. Eu acredito que os jogos 3D transportam o jogador para dentro da tela e o transformam em parte da história, já os jogos 2D oferecem controle externo da situação.

MJ: De onde vem o seu senso apurado para moda? Você sempre gostou de roupas pretas ou isso é algo que veio depois de Castlevania?
Iga: Sinceramente, eu não acho que tenho bom gosto para a moda. Eu sempre gostei de roupas pretas, e as pessoas que trabalham comigo costumam recomendar roupas mais sofisticadas porque eu sou o cara que lida com a imprensa diretamente, tenho que ter uma boa imagem. Mas eu acho que sim, meu gosto pela cor preta aumentou muito depois de Castlevania.

MJ: Qual destes sairia vivo de uma arena: Simon, Trevor, Soma ou Alucard?
Iga: Ummmm . . . essa pergunta é cruel! Se os inimigos fossem vampiros, Simon ou Trevor seriam os mais fortes. No caso de uma luta contra demônios, eu acho que Soma seria o vencedor, porque ele tem o poder de controlar almas. Mas não posso deixar Alucard de fora, ele é uma mistura das duas qualidades. Não acho que eu possa responder essa pergunta, mas acredito que seria legal ver uma briga entre eles.

MJ: Qual é seu aspecto favorito na confecção de um jogo?
Iga: O projeto como um todo, especialmente as loucuras que saem de nossas cabeças.

MJ: O que você costuma fazer quando encara um problema durante o desenvolvimento de um game?
Iga: No caso de problemas técnicos, eu analiso a situação para entender melhor qual é o problema. Então eu faço listas de pendências para os problemas encontrados. Faço um cruzamento com o nosso plano de ação e depois disso determino quais são as prioridades. Também determino quais funções do jogo são essenciais. Dependendo do resultado, posso mudar o projeto ou mesmo a equipe responsável. Quando o problema tem a ver com idéias, bem, o assunto fica mais complicado
. Primeiro, eu ando em estado constante de brainstorming. De vez em quando relaxo vendo um filme ou ouvindo músicas. Eu sempre tenho idéias incríveis quando estou prestes a entrar no banho ou quando estou esperando pelo trem, por exemplo. Mas eu acho que brainstoming é algo que pode ficar ruim depois de algum tempo, então é uma solução que deve ser usada com moderação.

MJ: Como gostaria de ser lembrado daqui a 50 anos?
Iga: Não me importo se as pessoas se esquecerem das coisas que eu fiz, mas gostaria que elas lembrassem dos jogos que criei. Seria uma grande honra. Espero que as séries em que trabalhei continuem fortes daqui a 50 anos, isso seria incrível.

MJ: Quais são os outros tipos de mídias (filmes, literatura) você mais gosta?
Iga: Quando eu estava na faculdade, meu senpai me apresentou o filme Monty Python. Foi um choque cultural fortíssimo. O impacto ainda continua vivo na minha memória. Também na mesma época, eu não parava de assistir os filmes de Akira Kurosawa. Eles foram cruciais na minha formação intelectual.

MJ: Qual o seu passatempo favorito? (não vale videogame!)
Iga: Eu tenho manias cíclicas. No momento, tenho assistido muitos DVDs. E também tenho ido muito ao cinema com o meu filho.

MJ: Se pudesse escolher um superpoder, qual seria?
Iga: Ler a mente das pessoas. Se eu tivesse essa habilidade, poderia preparar apresentações infalíveis! É uma habilidade limitada, mas é tão potente que vale a pena ter. O único problema é que você pode começar a odiar as pessoas ao saber o que elas estão pensando de fato.

GAMEOGRAPHY

Iga é mais conhecido pela série Castlevania, mas nem todos os jogos que ele trabalhou tem a ver com vampiros e castelos medievais.

Detana!! Twinbee
1992, PC Engine
Programador
Tokimeki Memorial
1994, PC Engine Super CD
Programador / roteirista
Castlevania: Symphony of the Night
1997, PlayStation
Programador / roteirista de cenário e assistente de direção
Castlevania: Harmony of Dissonance
2002, GBA
Produtor
Nano Breaker
2005, PS2
Produtor
Castlevania: Dawn of Sorrow
2005, DS
Produtor
Castlevania: Portrait of Ruin
2006, DS
Produtor





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"O cabelo desse cara é lindo!"
Autor: Fernando
Comentado em: 29/04/2008 -


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